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Os patrimónios humano e geográfico que se consolidaram ao longo de
séculos em torno da Ria de Aveiro traduzem uma identidade cultural. A
localização, as condições naturais e a presença humana resultaram no
desenvolvimento de especificidades etnográficas.
Caracterizada por constantes contactos com mundos exteriores, nomeadamente com
o Mediterrânico, o Norte da Europa, e mais recentemente o Brasil e a América do
Norte, esta "cultura" apresenta uma identidade forte e congregadora que integra
as influências externas transformando-as em sinergias, renovando-se
constantemente.
Inserido neste contexto e no topo Norte do antigo “mar interior” que se tornou
Ria, cresceu Ovar e os seus territórios adjacentes.
O desenvolvimento de uma consciencialização colectiva em torno do nosso legado
cultural e da nossa identidade de “vareiros”, em resposta a uma globalização
uniformizante fomentaram uma maior visibilidade das questões do património e da
identidade.
Surge assim o cenario - centro náutico da ria de
ovar, que assenta a sua génese na identificação,
preservação e divulgação da identidade cultural ligada à Ria, nomeadamente a
cultura náutica de recreio que aliada a embarcações que se tornaram património
e preenchem o imaginário da nossa paisagem e do nosso “modus vivendi”, as
transforma e adapta aos novos desafios que o desenvolvimento promove. Tem como
objectivo central um processo de descoberta de todas as potencialidades para
que este objecto patrimonial possa contribuir através de:
~ Contacto com a cultura náutica através da utilização de embarcações
consideradas de significativo valor patrimonial;
~ Laboração em oficinas de reparação, manutenção e construção de embarcações
consideradas relevantes para o património náutico da região;
~ Prática de desporto náutico;
~ Estudos de investigação e sensibilização em torno das questões ecológicas,
antropológicas, etnográficas e museológicas e de desenvolvimento de novas
estratégias identitárias.
Esta associação procura promover o desenvolvimento de uma efectiva
cultura ecológica e ambiental, numa perspectiva de desenvolvimento.
De entre os aspectos mais relevantes podemos identificar a cultura náutica
(ligada à pesca, apanha do moliço, transporte e mobilidade) intimamente
relacionada com os modos de subsistência materializando acções que se
identificam com modelos que hoje apelidaríamos de “desenvolvimento
sustentável”.
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